RESPOSTA À ACUSAÇÃO COM PRELIMINARES DE INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL, AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA, NULIDADE DE PROVA DIGITAL E PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO

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AO DOUTO JUÍZO DA XXXX VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE XXXX/XX

Ação Penal nº: XXXX
Réu: XXXX XXXX XXXX

XXXX XXXX XXXX, brasileiro, XXXX, XXXX, nascido na data de XX/XX/XXXX, filho de XXXX XXXX XXXX e XXXX XXXX XXXX, endereço eletrônico: XXXX@XXXX, Tel.: (XX) XXXXX-XXXX, residente e domiciliado à XXXX XXXX, XXXX, XXXX, XXXX – XX, CEP: XXXXX-XXX, inscrito no CPF sob o nº XXX.XXX.XXX-XX e RG XX.XXX.XXX-X, por intermédio de seus advogados que subscrevem, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. XXXX do Código de Processo Penal, apresentar sua:

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

ante a Denúncia ofertada pelo Parquet pela suposta prática dos delitos tipificados nos artigos XXXX e XXXX do Código Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:

  1. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Requer o acusado benefícios da gratuidade da justiça, haja vista declarar-se pobre na forma da lei, não podendo custear a máquina jurisdicional sem prejuízo de seu sustento e o da sua família, conforme declaração anexa.

Aliás, sedimentando o praticado pelos Tribunais pátrio acerca da gratuidade da justiça, o Código de Processo Civil assevera em seu art. XXXX, a saber:

Art. XXXX. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
§ XXXX Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso.
§ XXXX O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.
§ XXXX Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural.
§ XXXX A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça.

Conforme entendimento sedimentado na jurisprudência pátria, o fato de a parte autora encontrar-se assistida por advogado particular não induz a nenhuma presunção de possibilidade econômica, senão vejamos:

AGRAVO DE INSTRUMENTO – ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA – PESSOA FÍSICA – DECLARAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS – PRESUNÇÃO “JÚRIS TANTUM” – PARTE ASSISTIDA POR ADVOGADO PARTICULAR – IRRELEVÂNCIA – RECURSO PROVIDO – Para a concessão do benefício da justiça gratuita, basta a simples afirmação da parte de que não possui condições de arcar com as despesas do processo, sem prejuízo próprio ou de sua família, cabendo à parte contrária, por se tratar de presunção relativa, comprovar a inexistência ou a cessação do alegado estado de pobreza, ou ao juiz averiguar a veracidade do alegado através de apuração iniciada de ofício. O simples fato de a parte estar sendo assistida por advogado particular não a impede de se ver agraciada com a concessão do benefício da justiça gratuita. (TJ-XX-AI: XXXXXXXX XX, Relator: XXXX XXXX XXXX, Data de Julgamento: XX/XX/XXXX, Data de Publicação: XX/XX/XXXX).

Por todo o exposto, firmes que estas circunstâncias em nada obstam o benefício ora pleiteado pelo requerente e que a simples afirmação na exordial se coaduna com a presunção de veracidade garantida pelo Código de Processo Civil. Credita-se que, essas sejam suficientes a fazer provar da hipossuficiência financeira desta, desde logo se requer que seja deferido o benefício pleiteado.

  1. SÍNTESE DA ACUSAÇÃO

O Ministério Público Federal ofereceu denúncia em face do acusado, imputando-lhe a prática dos crimes previstos nos artigos XXXX e XXXX da Lei nº X.XXX/XX, sob o argumento de que teriam sido encontrados arquivos de conteúdo ilícito em dispositivos eletrônicos apreendidos em sua residência.

A acusação sustenta que tais arquivos teriam sido obtidos e eventualmente compartilhados por meio de redes peer-to-peer (P2P), especialmente através do software eMule, o que configuraria, em tese, armazenamento e disponibilização de material ilícito.

Todavia, como se demonstrará, não há prova do elemento subjetivo (dolo), tampouco elementos suficientes para sustentar a tipicidade penal das condutas imputadas.

DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA

DA PRELIMINARMENTE

  1. DE INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL

A competência da Justiça Federal, em delitos previstos nos arts. XXXX do Estatuto da Criança e do Adolescente, não decorre automaticamente do simples uso da internet ou da presença de arquivos em meio digital.

Esse é o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal, se não, vejamos:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME PREVISTO NO ARTIGO XXXX DA LEI X.XXX/XX. COMPETÊNCIA. DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO DE IMAGENS COM CONTEÚDO ILÍCITO. CONVENÇÃO INTERNACIONAL. DELITO COMETIDO POR MEIO DA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES. INTERNACIONALIDADE. ARTIGO XXX, V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL RECONHECIDA. RECURSO DESPROVIDO. (STF – RE: XXXXXXX XX, Relator: XXXX XXXX XXXX, Data de Julgamento: XX/XX/XXXX, Data de Publicação: XX/XX/XXXX).

Nessa linha, a demonstração de elemento concreto de internacionalidade do resultado obtido ou pretendido.

No presente caso, a acusação procura sustentar a competência da Justiça Federal com base na utilização do programa eMule, afirmando que, por sua própria natureza, a ferramenta permitiria o compartilhamento global de arquivos.

A perícia, ao que consta do Laudo nº XXXX, identificou arquivos localizados em dispositivos físicos apreendidos na residência do acusado, notadamente HDs e notebook, sendo que apenas XX deles ainda estavam armazenados em diretórios de arquivos.

Esse dado, por si só, revela apenas a existência de conteúdo em mídia local, não comprovando que tais arquivos tenham sido efetivamente disponibilizados em rede aberta.

Diante disso, impõe-se o acolhimento da preliminar, com o reconhecimento da incompetência da Justiça Federal e a remessa dos autos à Justiça Estadual.

  1. DA AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA

A presente ação penal carece de justa causa, nos termos do art. XXXX do Código de Processo Penal, uma vez que inexiste suporte probatório mínimo idôneo.

O único equipamento com vinculação mais concreta ao acusado apresentou resultado negativo para ilicitude.

Já em relação aos dispositivos nos quais a acusação concentra a imputação, o próprio relatório final do inquérito registra que os arquivos teriam sido localizados em materiais identificados como nº XXXX e nº XXXX.

O laudo indica que foram identificados XX arquivos, sendo XX imagens e XX vídeos, porém a maioria estava apagada e foi recuperada.

Portanto, não há prova segura de ciência do acusado quanto aos arquivos.

  1. DA IMPRESTABILIDADE DOS ELEMENTOS INQUISITORIAIS

Os elementos colhidos na fase inquisitorial possuem natureza meramente informativa e não se prestam, por si sós, a suprir deficiência da prova técnica.

A autoria não pode ser reconstruída por leitura unilateral de declarações prestadas pelo investigado.

  1. DA AUSÊNCIA DE DOLO

Os tipos penais exigem vontade livre e consciente.

No presente caso, esse elemento subjetivo não foi demonstrado.

Os próprios elementos dos autos indicam apenas utilização genérica de softwares de download, sem prova de intenção ilícita.

  1. DA ATIPICIDADE DA CONDUTA

O art. XXXX do ECA exige conduta consciente de divulgação.

Não há prova de compartilhamento deliberado.

O funcionamento automático de softwares P2P afasta a presunção de dolo.

  1. DA NULIDADE DA PROVA DIGITAL

A prova digital exige cadeia de custódia rigorosa, nos termos dos arts. XXXX do CPP.

Ausente documentação idônea sobre coleta, armazenamento e análise, resta comprometida a confiabilidade da prova.

  1. DO IN DUBIO PRO REO

Diante da ausência de prova segura quanto à autoria e ao dolo, impõe-se a aplicação do princípio do in dubio pro reo.

Nos termos do art. XXXX do CPP, a absolvição é medida que se impõe.

  1. DOS ITENS APREENDIDOS

Os próprios autos demonstram ausência de conteúdo ilícito em diversos equipamentos.

Assim, requer a restituição dos bens que não guardam vínculo com os fatos.

  1. DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, requer-se:

a) o recebimento da presente resposta à acusação;
b) a concessão da gratuidade de justiça;
c) o reconhecimento da incompetência da Justiça Federal;
d) o reconhecimento da ausência de justa causa;
e) a nulidade das provas;

No mérito:

f) a absolvição sumária do acusado;

Subsidiariamente:

g) a absolvição por insuficiência de provas;
h) a restituição dos bens apreendidos;
i) que as intimações sejam realizadas em nome do advogado XXXX XXXX XXXX – OAB/XX nº XXXX.

Nestes termos,

Pede deferimento.

XXXX, XX de XXXX de XXXX.

XXXX XXXX XXXX
OAB/XX XXXX

XXXX XXXX XXXX
OAB/XX XXXX

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Autoria deste conteúdo:

Dr. Gabriel Magalhães

Dr. Gabriel Magalhães

OAB RJ 197.254 – Advogado e Administrador no escritório Magalhães e Gomes Advogados, com mais de 10 anos de experiência e atuação em mais de 10 mil processos. Especialista em diversas áreas jurídicas.